A presbiopia, popularmente conhecida como “vista cansada”, é uma condição visual natural associada ao envelhecimento, que afeta a capacidade de focar objetos próximos. Geralmente surge após os 40 anos, tornando a leitura ou uso de celular mais desafiador.

O que causa a presbiopia?
Com o tempo, o cristalino (lente interna do olho) perde elasticidade e flexibilidade, dificultando o ajuste de foco para objetos próximos. Os músculos ciliares também enfraquecem, afetando a acomodação visual. Esse processo natural do envelhecimento geralmente ocorre após os 40 anos.

Sintomas principais
Os sinais aparecem gradualmente e pioram em baixa luz ou fadiga:
- Dificuldade para enxergar de perto
- Necessidade de afastar objetos para focar (“síndrome do braço curto”)
- Cansaço visual, ardor nos olhos e pálpebras pesadas
- Dores de cabeça após esforço visual
A presbiopia pode coexistir com miopia, hipermetropia ou astigmatismo, mas é distinta deles. Se acrescenta mais uma questão a ser resolvida. A idade traz consigo, inevitavelmente, alguns probleminhas.
OPÇÕES DE TRATAMENTO
- Óculos: de leitura ou multifocais
- Lentes de contato: monovisão (um olho para perto, outro para longe) ou multifocais
- Cirurgia refrativa: PRK ou LASIK, monovisão necessária
- Lentes intra-oculares para pacientes idosos (vide texto sobre catarata onde abordo esse assunto)
- Colírios:
| Provavelmente você já ouviu falar sobre os colírios para presbiopia super em voga nas redes sociais. Vou explicar como funcionam e também desmistificar o “hype”, te ajudando a separar o que é expectativa inflamada da realidade prática. Nos Estados Unidos, já temos dois colírios disponíveis para presbiopia: VIZZ (aceclidina 1,44% – julho 2025) e Vuity (pilocarpina 1,25% – out 2021) ![]() Ambos atuam contraindo a pupila (miose), aumentando assim a profundidade de foco. Isso melhora a visão (“efeito pinhole”) de perto e intermediária sem comprometer a visão de longe. Tanto a aceclidina, quanto a pilocarpina são substâncias parassimpaticomiméticas (ou colinérgicos), uma vez que atuam ativando o sistema nervoso autônomo parassimpático. Elas estimulam receptores muscarínicos, imitando a ação no neurotransmissor acetilcolina. Vou explicar de uma forma mais fácil: lembra aquele estado de “luta ou fuga”, resposta essencial para sobrevivência? No estresse, há uma descarga de adrenalina que provoca a midríase, a dilatação da pupila que melhora o estado de alerta e visão periférica e noturna. O sistema parassimpático contra balanceia essa resposta, provocando miose. ![]() Agora, comparando um com o outro, a aceclidina do VIZZ é mais seletiva ao esfíncter da íris, com estimulação mínima do corpo ciliar, reduzindo efeitos adversos como miopia induzida, dor supraorbital e tração vítrea, em relação à pilocarpina do Vuity. Enquanto a aceclidina dura até 10 horas, a pilocarpina tem efeito de 6-9 horas. Esse colírios podem ajudar no dia a dia, mas possuem efeito efêmero e conseguem ajudar de forma limitada em ambientes com pouca luminosidade. São mais apropriados para presbiopia inicial. Há outros colírios para essa finalidade em estudos, como carbacol 2,75% + brimonidina 0,1% e a fentolamina 0,75%. Pessoalmente, não condeno nem estimulo seu uso. Até pode promover uma certa independência dos óculos de perto, mas definitvamente não é uma solução milagrosa como se vende por aí. |

